Quanto de mim posso dar
e penso‚ é
quanto de mim posso dar?
quanto de mim tenho que é meu?
penso em mim, e em nada
e somos um só, vazios
sou em nada, e morrerei em nada
sou um intelectual de mim
sou o que aparento e o que sei
mas não sei nada
não percebo nada
não fala todas as línguas
não sei todos os alfabetos
sei tanto sobre mim
quanto não sei sobre o mundo
sou a ausência de um todo
quero o tudo e o nada
quero ser só eu
e quero apenas ser
mas será que existo?
(March 2010)
(…) I firmly believe, looking at these results, that if there is a God, it has to be a man. No woman could or would ever fuck things up like this. So, if there is a God, I think most reasonable people might agree that he’s at least incompetent, and maybe, just maybe, doesn’t give a shit. Doesn’t give a shit, which I admire in a person, and which would explain a lot of these bad results.George Carlin
Emancipate yourselves from mental slavery… none but ourselves can free our minds.Bob Marley
E quem não mata a fome, a fome mata (…) quem não mata a fome, a fome comeGabriel O Pensador
We are going to die, and that makes us the lucky ones. Most people are never going to die because they are never going to be born.Richard Dawkins
Old Pirates, yes, they rob I. Sold I to the merchant shipsBob Marley in Redemption Song
Quase comecei a viver
sou um privilegiado porque penso como quero,
sou quase como quero, faço tudo quase como quero.
quase que o imagino, um mundo como quero, o futuro que vejo
como que sonho com isto e não sonho sozinho.
somos cada vez mais e todos no mesmo caminho,
não melhor, mas diferente.
nada é perfeito, a vida não tem que rimar.
sou um privilegiado porque escrevo o que quero,
quase que escrevo o que penso
às vezes digo o que escrevo, às vezes chego a dizer.
há dias que não dá tempo e então não escrevo o que quero,
não penso no que digo, não digo o que penso
há dias que não sou eu todo
às vezes não sou eu mesmo, às vezes nem sequer sou.
houve um dia em que tudo parou, e não mais pensei
parei de escrever, nada mais disse
e quase comecei a viver.
(April 2010)
Tu
tu,
o teu sorriso
os teus olhos, o teu brilho, adoro.
tu, fazes-me ver o mundo de outra forma
só tu me fazes dar a volta, olhar p’a trás
sinto ser capaz, mas sinto a tua falta
e vou, mas volto ansioso pela ida, regresso à outra margem
começa a contagem e faço a mala
um rio atravessa-se e falta-me a coragem
e assim, construirei meu barco e não me afogarei
por ti, voarei pelo rio e prometo não abrandarei
voarei mais rápido, vou mais longe, ou até mais perto
vou cruzar o horizonte e o deserto
por areias nunca antes navegadas, levo o amor ao peito
e vou de braços abertos a espera de um abraço
sei que estarás à minha espera
vou de coração sincero
quebrar a regra e dar valor a excepção
vou ser ladrão, roubar-te um beijo
cumprir teu desejo, levar-te comigo,
só tu,
o teu sorriso
os teus olhos, o teu brilho,
adoro.
(March 2010)
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